Enfermeira Portuguesa Emigrada Envia Carta Aberta à Ministra Da Saúde

Uma enfermeira portuguesa que emigrou para o Reino Unido há cinco anos partilhou nas redes sociais uma carta aberta à ministra da Saúde, Marta Temido, onde deixa duras críticas à gestão do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da carreira dos enfermeiros.

Na publicação, partilhada na semana passada na sua página de Facebook, Bárbara começa por explicar que, viu-se obrigada a emigrar, em 2015, para um país que não é o seu porque Portugal pagava “2,7 euros/hora” aos enfermeiros e aconselhava, frequentemente, os seus jovens a “sair e procurar oportunidades lá fora”.

Apesar de ter sempre “a mente no regresso”, a profissional de saúde conta que nestes cinco anos subiu sempre de escalão e foram-lhe dadas “oportunidades de formação e crescimento, inclusive pós-graduações oferecidas pelo hospital” onde trabalha.

A publicação de Bárbara está a ser amplamente partilhada nas redes sociais, essencialmente, por profissionais de saúde. Só no Facebook conta já com mais de 7.500 mil partilhas e quase 9 mil reações.

Confira o texto na íntegra:

“Dona ministra,
O meu nome é Bárbara e sou enfermeira.
Sou enfermeira há 5 anos num país que não é o meu, não vim por minha escolha em busca de uma aventura ou de aprender uma nova língua.
Vim porque, em 2015 quando me mudei, o meu país me oferecia 2,7€/h para fazer o meu trabalho, porque o meu país me dizia para sair e procurar oportunidades la fora.
E la para fora fui. E cá continuo, pq em 5 anos subi sempre de “escalão” enquanto enfermeira.
Porque em 5 anos sempre me foram dadas oportunidades de formação e crescimento dentro da minha profissão, inclusive pós graduações oferecidas pelo hospital.
Fiquei porque em 5 anos era team leader e conseguia ver a minha carreira a transformar-se em algo.
Ponderei ser especialista em uma qualquer especialidade, e tornou-se difícil escolher pq tenho a oportunidade de escolher qq uma das especialidades para trabalhar, e mudar quando quero.
Fui ficando.
Mas sempre com a mente no regresso.
“Quando for melhor, isto não pode ficar assim pra sempre”, “irão abrir concursos”, “terão de investir na enfermagem, não pode acabar assim”.
Nunca aconteceu.
Veio o Covid e nada mais queria senão estar em Portugal, fazer o trabalho que estou a fazer, como enfermeira de cuidados intensivos mas em Portugal, ser útil, em Portugal.
Veio a necessidade. Veio a valorização profissional (pelo menos os aplausos). Mas não veio a carreira, não vieram os contratos, não veio o convite para regressar.
E aqui estou eu, e tantos, prontos a remar ao nosso querido paraíso à beira mar plantado assim que nos disserem “estamos prontos, venham”. E você pede aos reformados para ajudar? Você por acaso já fez um turno de enfermagem num hospital? Digo-lhe, às vezes mal aguento com 30 anos, nem
Imagino como será com 65!
Ah! Pois, não somos uma profissão com alto risco de desgaste…
Pede ajuda ao estrangeiro? Esse estrangeiro a aproveitar a mão de obra dos enfermeiros portugueses? A esse estrangeiro que nos valoriza e apoio?
Nao basta tomar conta da sua população, agora tem de tomar conta da vossa população doente. Eu não sou de intrigas mas algo vai mal no nosso Portugal.
Mas não se preocupe, quando chegarem cá fora os seus doentes terão um tratamento de excelência, por profissionais de excelência e, como sorte, ainda lhes falam em português.
Costumam dizer que o problema dos países são as pessoas que neles vivem, eu digo que são esses rabos (que um dia uma de nós enfermeiras vamos limpar) que se sentam em cadeiras de ouro e mandam dicas tão levianamente…
Seguiam o exemplo da Nova Zelândia, cortem os vossos ordenados em 1/3. E cortem as cadeiras parlamentares pela mesma ordem. Cortem nos apoios à TAP. E invistam na saúde e bem estar da população, é para isso que aí estão.”

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