Restauro Amador De Estátuas Do Século XV Arruinadas Após Terem Sido Pintadas Com Cores Berrantes

Verde alface, azul-turquesa e rosa choque. Estas são as novas cores das estátuas da Ermida de Rañadoiro que geraram polémica no restauro de obras de arte antigas em Espanha.

O restauro amador tem sido bastante criticado por especialistas que classificam o resultado final como um “desastre absoluto”.

Em causa estão três figuras datadas do século XV que foram pintadas por um dos 16 habitantes da aldeia Rañadoiro, Astúrias. Apesar de não ter experiência neste tipo de trabalhos, a “restauradora” terá tido a autorização do pároco para recuperar a obra, que se encontrava desgastada.

As três figuras, uma da Virgem Maria com o Menino Jesus e Santa Ana, outra de São Pedro, e outra da Virgem com o Menino Jesus. As duas últimas são policromadas. Os três entalhes de madeira que se encontram na capela de Rañadoiro, antes absolutamente sóbrios, agora estão pintados com cores vivas: do “verde-alface” ao rosa-choque.

 
O último artista a restaurar as imagens oficialmente, Luis Soárez Saro, sublinhou que o aspeto atual das estátuas é “paupérrimo”. “A técnica e as cores utilizadas não têm nada a ver com as originais”.

Luis Soárez referiu também que as três figuras poderião voltar ao seu estado anterior “se a moradora não tiver lixado a policromia original antes de pintá-las”. E completou: “É preciso saber exatamente como foi o processo, aplicar técnicas de infravermelho e ver se ela simplesmente pintou por cima.” Se foi isso que aconteceu, seria possível reverter a situação.

Esta é a segunda vez que os resultados de restauro das estátuas não ficaram como esperado. Em 2003, um especialista teve de retirar a pintura aplicada para devolver o aspeto original às imagens.

 
A autora da restauração das esculturas de Rañadorio, María Luisa Menéndez, que administra uma tabacaria na localidade vizinha de La Espina, explicou o que ocorreu numa reportagem do jornal El Comercio: “Não sou uma pintora profissional, mas sempre gostei. E as imagens precisavam de uma pintura. Então pintei-as como pude, com as cores que me pareciam bem, e os moradores gostaram.”

Esta não é a primeira vez que uma obra de restauro gera em polémica em Espanha. O caso mais mediático ocorreu em 2012, quando o restauro do quadro “Ecco Homo” fez manchetes em todo o mundo.

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